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O modelo mais comum de acompanhamento é uma consulta por mês e trinta dias de silêncio no meio. Nesses trinta dias acontece tudo o que importa: a viagem, a semana de trabalho pesado, o fim de semana que desorganiza a rotina, a noite mal dormida que derruba a segunda-feira. Quando o paciente volta ao consultório, boa parte disso já virou névoa. Ele relata o que lembra. E o que ele lembra costuma ser o que aconteceu nos últimos três ou quatro dias. O questionário semanal existe para cobrir esse intervalo. Ele só funciona quando você trata o que está montando como intervenção clínica, com efeito sobre o paciente no momento em que ele responde. Um formulário de coleta produz outra coisa. Esta série é para nutricionistas, psicólogos, médicos, endocrinologistas, psiquiatras, treinadores e personal trainers que acompanham pacientes entre consultas na LiveClin.

O questionário trabalha para duas pessoas

Para o paciente, ele é um instrumento de automonitoramento. Responder já é a intervenção. Quando alguém precisa dar uma nota ao próprio sono sete dias seguidos, o sono entra no campo de atenção dessa pessoa, e ela começa a agir sobre ele antes que você comente qualquer coisa. Michie e colegas, numa meta-regressão de 2009 sobre intervenções de alimentação e atividade física, encontraram que intervenções combinando automonitoramento com pelo menos outra técnica de autorregulação foram significativamente mais eficazes que as demais. Para você, o questionário é triagem. Não diagnostica e não substitui a consulta. Serve para chegar ao consultório com o retroativo de quatro semanas em vez de uma memória de quatro dias, e para identificar no meio do caminho quem precisa de contato antes da próxima consulta.
O questionário é do paciente antes de ser seu. Se ele só serve para você, o paciente percebe e para de responder.

Relato e solicitação são coisas diferentes

Aqui está o erro mais caro que se comete com questionários semanais. O paciente responde “a semana foi péssima” e você sente que precisa resolver a semana péssima. Responde, orienta, faz discurso motivacional, muda o planejamento. Multiplique por trinta pacientes e você tem alguém exausto executando um trabalho que ninguém pediu. O questionário semanal é canal de relato. Uma fotografia da semana, guardada para ser comparada com as próximas. Uma semana ruim registrada é um questionário que funcionou. Dúvida e urgência vão para o suporte, onde você já tem prazo de resposta acordado. Separar os dois canais baixa a sua ansiedade, porque você para de ler cada resposta como chamado. Baixa também a dependência do paciente, que deixa de usar o questionário para decidir se pode comer alguma coisa hoje. O dado melhora junto: as pessoas relatam com mais honestidade quando sabem que não vão ser corrigidas por aquilo.
Deixe explícito, na mensagem que acompanha o link, que o questionário é registro e que dúvidas vão para o suporte. Você encontra um script pronto em Configurar envios.

Erro é informação

Se vocês combinaram reduzir o consumo de álcool e o paciente deu nota baixa em álcool por quatro semanas seguidas, o questionário não falhou. Ele registrou que a estratégia combinada não funcionou naquele contexto, que é o dado necessário para ajustar a conduta na próxima consulta. Mudança de comportamento raramente acontece em sete dias. Não é razoável esperar que uma orientação dada em consulta vire resultado na semana seguinte, e não ajuda tratar cada nota baixa como problema a corrigir na hora. O que você mede semanalmente é progresso. Progresso pode ser manutenção. Pode ser uma queda menor do que a esperada, ou “consegui em dois dos sete dias, quando antes eram zero”.

Os guias desta série

Tamanho ideal

Quantas perguntas incluir e quanto tempo de resposta seu questionário pode custar.

Estruturar blocos

A arquitetura em cinco blocos, da âncora global à pergunta de reflexão.

Escolher escalas

Qual modo de resposta usar para cada tipo de informação.

Escrever perguntas

As doze regras de redação que protegem a qualidade do dado.

Perguntas prontas

Banco de perguntas por área e um modelo completo de 10 perguntas.

Configurar envios

Que dia enviar, prazo de resposta e como apresentar ao paciente.

Ler respostas

Rotina de leitura e os quatro gatilhos que justificam contato.

Evitar erros

Os erros que quebram o acompanhamento e como manter o questionário saudável.

Cuidados éticos

Minimização de dados, consentimento e limites de escopo.

Checklist antes de salvar

Na LiveClin, as perguntas não podem mais ser editadas depois que o questionário é salvo. Revise esta lista antes de concluir.
  • Entre 8 e 12 perguntas
  • Tempo somado abaixo de 180 segundos, pelo orçamento de tempo
  • No máximo uma pergunta aberta obrigatória
  • Peso e foto, se existirem, marcados como não obrigatórios
  • Toda pergunta tem janela de recall explícita (“nos últimos 7 dias”)
  • Nenhuma pergunta tem duas ideias
  • Nenhuma pergunta contém palavra que julga
  • Todas as escalas têm os extremos rotulados
  • Todas as escalas apontam na mesma direção: maior é melhor
  • As alternativas de escolha única são mutuamente exclusivas e cobrem todos os casos
  • Há explicação obrigatória nas alternativas de alerta, e só nelas
  • Os pesos refletem o objetivo daquele paciente
  • Cada pergunta muda alguma decisão
  • Você abriu Ver prévia e leu tudo como se fosse o paciente
  • Você respondeu o questionário uma vez, como paciente-teste
  • O contrato de uso está combinado com o paciente
  • Michie, S., Abraham, C., Whittington, C., McAteer, J., & Gupta, S. (2009). Effective techniques in healthy eating and physical activity interventions: a meta-regression. Health Psychology.
  • Carver, C. S., & Scheier, M. F. (1982). Control theory: a useful conceptual framework for personality-social, clinical, and health psychology. Psychological Bulletin.
  • Bandura, A. (1991). Social cognitive theory of self-regulation. Organizational Behavior and Human Decision Processes.