As doze regras
1. Uma ideia por pergunta. “Como estiveram seu sono e sua energia?” não tem resposta interpretável. Se tem um “e” no meio, provavelmente são duas perguntas. 2. Janela de recall explícita. Escreva sempre “nos últimos 7 dias” ou “na última semana”. Sem isso, cada pessoa responde sobre um período diferente, e algumas respondem sobre ontem. Flynn e colegas, num estudo com 515 participantes publicado no Journal of Urology em 2019, compararam registros diários com recordação de 7 e de 30 dias: todas as correlações ficaram acima de 0,60, e o viés sistemático mediano não passou de 10% da escala em nenhum item. 3. Comportamento observável no lugar de julgamento moral. Troque “Você foi disciplinado com a dieta?” por “Em quantos dos últimos 7 dias você conseguiu seguir o plano nas refeições principais?”. 4. Nenhuma palavra que julga. Fora do vocabulário: furou, falhou, escapou, pecou, trapaceou, saiu da linha, foi mal. Elas ativam vergonha, e vergonha produz subnotificação justamente no dado que você mais precisa. 5. Evite o formato concordo/discordo. O Pew Research Center descreve o viés de aquiescência: parte das pessoas tende a concordar com qualquer afirmação, e o efeito é mais forte entre respondentes com menos escolaridade. Prefira escalas específicas ao item (“como você avalia”, “com que frequência”). 6. Reduza a desejabilidade social nos temas sensíveis. O Pew também documenta que respondentes subnotificam consumo de álcool e drogas e superestimam comportamentos socialmente valorizados. Normalize no enunciado: “A maior parte das semanas tem imprevistos. Em quantos dias da última semana você…”. 7. A pergunta precisa funcionar quando a resposta é zero. “Quantas vezes você treinou a mais que na semana passada?” pressupõe que treinou. “Quantas sessões de treino você fez nos últimos 7 dias?” funciona com zero. 8. Alternativas mutuamente exclusivas e exaustivas. Se existe um caso real que não cabe em nenhuma alternativa, o paciente marca qualquer coisa e o dado morre ali. Inclua “não se aplica” quando couber. 9. Linguagem do paciente, sem vocabulário de prontuário. Nada de “ingestão hídrica”, “aderência ao plano alimentar”, “sintomatologia gastrointestinal”. Água, seguir o combinado, intestino e estômago. 10. Máximo de 20 palavras no enunciado. Se não couber, a pergunta está fazendo mais de uma coisa. 11. Números só onde a memória sustenta. “Quantos dias” e “quantas vezes” funcionam. “Quantos gramas de proteína” não, a menos que o paciente use um aplicativo e você saiba disso. 12. Nada entra sem propósito de decisão. Antes de incluir qualquer pergunta, responda: o que muda na minha conduta, ou na percepção do paciente, dependendo da resposta? Se a resposta for nada, corte.Exemplos de perguntas reescritas
Como usar a explicação condicional
A LiveClin permite exigir justificativa apenas quando o paciente marca uma alternativa específica. É o recurso que resolve o conflito entre querer contexto e não querer cansar o paciente com texto livre: você só pede o porquê quando o quê acendeu um sinal. Exemplo:Nos últimos 7 dias, como foi seguir o plano nas refeições principais?Quem está bem responde em oito segundos. Quem não está entrega o contexto que você teria de caçar na consulta. Veja como configurar no tutorial Criar perguntas.
- Consegui em quase todos os dias (ótimo)
- Consegui em cerca de metade dos dias (neutro)
- Consegui em poucos dias (ruim, com explicação obrigatória: “O que mais atrapalhou nesta semana?”)
- Praticamente não consegui (péssimo, com explicação obrigatória: “O que aconteceu nesta semana?”)
Próximos passos
Perguntas prontas
Banco de perguntas que já seguem essas doze regras.
Criar perguntas
Passo a passo para criar as perguntas na plataforma.
Referências desta página
Referências desta página
- Flynn, K. E. et al. (2019). Can 7 or 30-day recall questions capture self-reported lower urinary tract symptoms accurately? Journal of Urology.
- Pew Research Center, Writing Survey Questions: viés de aquiescência, desejabilidade social, perguntas de duas pontas.